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Indignados com a desvalorização do magistério, com o sucateamento da educação, políticas públicas excludentes e propagandas mentirosas nos veículos de comunicação por parte da administração Serra/Goldman/Paulo Renato, do PSDB, os professores da rede pública estadual entraram em greve do dia 08 de março ao dia 08 de abril.
Durante esses trinta dias, nós do Coletivo “APEOESP Na Escola e Na Luta” do Vale do Ribeira, em Comando de Greve, percorremos diversos municípios da região visitando escolas na tentativa de fazer o convencimento do professorado a aderir ao movimento, informando e esclarecendo dúvidas. Também encontramos movimentos grevistas em alguns municípios, como na Barra do Turvo.
Agradecemos a todos, grevistas ou não, pela atenção e apoio, já que em nenhum momento foi questionada nossa pauta de reivindicação e a própria greve. A principal divergência era em relação à adesão ao movimento estadual.
Mesmo assim, na segunda semana de greve, atingimos cerca de 65% de paralisação em todo o estado e 30% aqui no Vale do Ribeira, o que já pode ser considerado vitorioso. Porém, a truculência do governo nas negociações, a forte repressão policial aos professores, junto à longa duração da greve, fez com que houvesse um refluxo no movimento.
Sentimos também que a própria direção da APEOESP articulou e forçou um recuo durante as assembléias. Nós, do Coletivo “APEOESP Na Escola e Na Luta” aqui do Vale do Ribeira, consideramos o fim da greve, naquele momento, equivocado, já que não podemos sair de mãos vazias num movimento tão delicado e importante, como é o movimento grevista.
Entretanto, mesmo não atingindo nossas reivindicações, avaliamos que este movimento foi importante, mostrando que o conjunto do magistério está crítico à forma como o governador Serra e seu secretário Paulo Renato conduzem a educação pública paulista. Nosso recado foi dado: não aguentamos mais ataques aos nossos direitos!
Até o momento, conseguimos apenas uma conquista: a de que haverá desconto parcelado dos dias parados e de que a reposição será feita de forma diversificada, dependendo da realidade da escola. Pelo menos é o que foi acordado entre a direção do sindicato e o secretário da Educação.
Assim, sempre que houver tentativas de denegrir a imagem de nossa categoria ou flexibilizar nossos direitos, iremos nos defender. Para isso, precisamos cada vez mais de um sindicato forte e combativo, e sua participação é fundamental nessa construção.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Uso e abuso dos professores
Escrito por Gabriel Perissé
27-Jan-2010
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4268/53/
Li na Folha de S. Paulo, no dia 23 de janeiro de 2010, matéria assim intitulada: "SP admite ter de usar professor reprovado".
O verbo "usar" entra pelos olhos, assalta as mentes, espanca o coração, cai torto no estômago e nos faz mal.
O verbo "usar", bem conhecemos. Eu, você, todos nós usamos o verbo "usar". Usamos e abusamos. Faço uso desse verbo porque muitas coisas eu aprendi a usar.
Uso roupa, uso computador, uso escada para subir, uso papel para escrever, uso dinheiro para comprar, uso carro para me transportar, uso de tudo que é lícito para viver humanamente.
Usar não é errado quando uso e manipulo o que é usável e manipulável: objetos a meu dispor, simples ou complexos, caros ou baratos, de qualidade ou vagabundos.
Mas usar pessoas, isso não; isso é demais da conta. Usar pessoas, jamais! Usar alguém para escalar. Usar alguém para ganhar. Usar alguém para gozar. Usar alguém para vencer. Usar alguém é coisa que ninguém deveria fazer. Usar alguém não é do bem. Usar alguém faz mal, e faz mal aos dois: a quem é usado, e também àquele que usa!
Dirão, talvez, que entendi mal. Que o título da matéria não tem maldade. Que "usar" é assim mesmo, usamos sem pensar. Que temos aí um modo de escrever inofensivo. Que estou exagerando a força da palavra. Que estou usando mal a minha capacidade de ler o jornal. Que estou vendo coisas.
Contudo, lá está, a matéria diz: os professores reprovados serão usados. Usados, concluo, porque foram reprovados. E foram reprovados porque sempre foram usados. Porque têm sido objeto de uso e abuso.
O professor fez a prova e foi reprovado. O que será que essa prova provará? Será essa prova eliminatória ou "humilhatória"? O governo de São Paulo garante que o professor, mesmo reprovado, será usado. E ele, o professor, que já se habituou a ser usado faz tanto tempo, voltará a ser temporário. Por quanto tempo?
Usado e mal pago, de manhã, à tarde e à noite, o professor se sente manipulado como uma coisa. Sem aplauso, excluso, mero parafuso, o professor aceita ser usado.
E aqueles que, useiros e vezeiros em usar os professores, humilham o docente, provam, na verdade, que não sabem servir a sociedade. E se não vivem para servir, para que servem?
Gabriel Perissé é Doutor em Educação pela USP e escritor.
Website: http://www.perisse.com.br/
27-Jan-2010
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4268/53/
Li na Folha de S. Paulo, no dia 23 de janeiro de 2010, matéria assim intitulada: "SP admite ter de usar professor reprovado".
O verbo "usar" entra pelos olhos, assalta as mentes, espanca o coração, cai torto no estômago e nos faz mal.
O verbo "usar", bem conhecemos. Eu, você, todos nós usamos o verbo "usar". Usamos e abusamos. Faço uso desse verbo porque muitas coisas eu aprendi a usar.
Uso roupa, uso computador, uso escada para subir, uso papel para escrever, uso dinheiro para comprar, uso carro para me transportar, uso de tudo que é lícito para viver humanamente.
Usar não é errado quando uso e manipulo o que é usável e manipulável: objetos a meu dispor, simples ou complexos, caros ou baratos, de qualidade ou vagabundos.
Mas usar pessoas, isso não; isso é demais da conta. Usar pessoas, jamais! Usar alguém para escalar. Usar alguém para ganhar. Usar alguém para gozar. Usar alguém para vencer. Usar alguém é coisa que ninguém deveria fazer. Usar alguém não é do bem. Usar alguém faz mal, e faz mal aos dois: a quem é usado, e também àquele que usa!
Dirão, talvez, que entendi mal. Que o título da matéria não tem maldade. Que "usar" é assim mesmo, usamos sem pensar. Que temos aí um modo de escrever inofensivo. Que estou exagerando a força da palavra. Que estou usando mal a minha capacidade de ler o jornal. Que estou vendo coisas.
Contudo, lá está, a matéria diz: os professores reprovados serão usados. Usados, concluo, porque foram reprovados. E foram reprovados porque sempre foram usados. Porque têm sido objeto de uso e abuso.
O professor fez a prova e foi reprovado. O que será que essa prova provará? Será essa prova eliminatória ou "humilhatória"? O governo de São Paulo garante que o professor, mesmo reprovado, será usado. E ele, o professor, que já se habituou a ser usado faz tanto tempo, voltará a ser temporário. Por quanto tempo?
Usado e mal pago, de manhã, à tarde e à noite, o professor se sente manipulado como uma coisa. Sem aplauso, excluso, mero parafuso, o professor aceita ser usado.
E aqueles que, useiros e vezeiros em usar os professores, humilham o docente, provam, na verdade, que não sabem servir a sociedade. E se não vivem para servir, para que servem?
Gabriel Perissé é Doutor em Educação pela USP e escritor.
Website: http://www.perisse.com.br/
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Inaugurando o blogue...
O Coletivo "APEOESP NA ESCOLA E NA LUTA" do Vale do Ribeira é composto por um grupo de professores que lecionam nesta região, que acreditam que um sindicato de professores deva estar presente no cotidiano escolar e fazendo a luta nas ruas, juntamente com outros movimentos sociais. Este coletivo não admite que um sindicato esteja a serviço de interesses pessoais ou mesmo fique acomodado diante de tanta luta necessária ao trabalhador da educação. Mais especificamente, este coletivo se opõe à corrente majoritária do sindicato - chamada de Articulação Sindical - que tornou o sindicato estadual dos professores de São Paulo um espaço opressor, que tenta esmagar qualquer ação que venha contra os seus interesses, para isto valendo-se de métodos autoritários e, às vezes, agressivo. A atual presidente da APEOESP é um símbolo deste autoritarismo e violência moral, se tornando um figura pública que não representa de fato o professor que está lutando diariamente no seu espaço de trabalho.
Um exemplo deste autoritarismo foi a última eleição para Conselheiros Regionais/Estaduais, ocorrida em 08 de dezembro de 2009, no Vale do Ribeira. Nosso coletivo ganhou de forma indiscutível, com ampla maioria, mostrando que os professores do Vale do Ribeira querem uma grande mudança nas práticas desta subsede da APEOESP na região, "administrada" pela Articulação Sindical há mais de uma década. Esta corrente, ligada à CUT (hoje já chamada de Centra Única dos Traidores), apelou para um julgamento sem passagem por instâncias regionais - como a Comissão Eleitoral Regional - e sem permitir defesa, decidindo na sua cúpula, sem nenhum critério técnico, que a eleição democrática e legítima, fosse impugnada.
A Eleição teve 512 votantes (sem contar brancos e nulos) de um universo de 1636 professores aptos a votar e, mesmo com uma urna impugnada de Cajati -à qual também tínhamos maioria - teríamos 478 votos válidos. O principal motivo alegado para a impugnação foi que a eleição teve "360 votantes de um total de 3000", um completo absurdo. Este número de 360 participantes está sendo divulgado, mas o mapa de apuração não deixa ninguém mentir. Somando o total de votantes de todas as urnas válidas, temos 478 votantes.
Outro motivo alegado é que o "atraso da eleição, causado pela corrente de oposição, não permitiu que professores votassem". Primeiramente, o atraso foi causado pela recusa da Articulação Sindical em garantir a PARIDADE nas mesas de votação, ou seja, que cada urna tivesse um mesário de cada tendência, conforme escrito em Orientações da própria Comissão Eleitoral Estadual. Obviamente, esta tentativa de fraude não poderia ocorrer...
Até agora, os atuais conselheiros não nos responderam uma pergunta: por que não queriam mesários nossos em todas as urnas? A "manda-chuva" da Articulação na região chamou até a polícia militar - órgão opressor do Governo José Serra - para tentar colocar para frente esta tentativa, mas até a polícia - veja bem - defendeu que o processo de desigualdade nas urnas não estava sendo democrático.
Por enquanto é só...
A indignação dos professores do Vale do Ribeira está e estará expressa neste blogue, um espaço de opiniões e troca de informação
Um exemplo deste autoritarismo foi a última eleição para Conselheiros Regionais/Estaduais, ocorrida em 08 de dezembro de 2009, no Vale do Ribeira. Nosso coletivo ganhou de forma indiscutível, com ampla maioria, mostrando que os professores do Vale do Ribeira querem uma grande mudança nas práticas desta subsede da APEOESP na região, "administrada" pela Articulação Sindical há mais de uma década. Esta corrente, ligada à CUT (hoje já chamada de Centra Única dos Traidores), apelou para um julgamento sem passagem por instâncias regionais - como a Comissão Eleitoral Regional - e sem permitir defesa, decidindo na sua cúpula, sem nenhum critério técnico, que a eleição democrática e legítima, fosse impugnada.
A Eleição teve 512 votantes (sem contar brancos e nulos) de um universo de 1636 professores aptos a votar e, mesmo com uma urna impugnada de Cajati -à qual também tínhamos maioria - teríamos 478 votos válidos. O principal motivo alegado para a impugnação foi que a eleição teve "360 votantes de um total de 3000", um completo absurdo. Este número de 360 participantes está sendo divulgado, mas o mapa de apuração não deixa ninguém mentir. Somando o total de votantes de todas as urnas válidas, temos 478 votantes.
Outro motivo alegado é que o "atraso da eleição, causado pela corrente de oposição, não permitiu que professores votassem". Primeiramente, o atraso foi causado pela recusa da Articulação Sindical em garantir a PARIDADE nas mesas de votação, ou seja, que cada urna tivesse um mesário de cada tendência, conforme escrito em Orientações da própria Comissão Eleitoral Estadual. Obviamente, esta tentativa de fraude não poderia ocorrer...
Até agora, os atuais conselheiros não nos responderam uma pergunta: por que não queriam mesários nossos em todas as urnas? A "manda-chuva" da Articulação na região chamou até a polícia militar - órgão opressor do Governo José Serra - para tentar colocar para frente esta tentativa, mas até a polícia - veja bem - defendeu que o processo de desigualdade nas urnas não estava sendo democrático.
Por enquanto é só...
A indignação dos professores do Vale do Ribeira está e estará expressa neste blogue, um espaço de opiniões e troca de informação
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