Escrito por Izaías de Oliveira
Dom, 09 de Maio de 2010 21:43
http://apeoespalternativa-litsul.pro.br/index.php/editorial/politica/51-pelego
Durante a greve dos professores, ouvimos muito os termos peleguismo, pelegada, pelego. Afinal, o que vem a ser na realidade esse personagem infelizmente presente em quase todos os movimentos grevistas?
Façamos um breve resumo das "qualidades" dessas tristes figuras.
Originalmente o termo "pelego" significa uma pele de carneiro utilizada nos arreios de animais, à maneira de um xairel: manta colocada no lombo de uma montaria, sobre a qual se põe a sela.
A criatividade popular, contudo, enriqueceu o nosso vocabulário; assim, passou-se a empregar a palavra "pelego" para designar indivíduos que se infiltram nos sindicatos, assumem cargos e fazem o execrável papel de duplo agente: aparentemente defendem a categoria à qual pertencem; por outro lado, "na surdina", trabalham em defesa dos interesses próprios e dos patrões ou de administradores públicos, sempre esperando algum privilégio, ou mesmo são pagos para "pelegar"(bônus, promoção por mérito, licença prêmio, etc).
O pelego é, portanto, uma figura abominável.
Além do indivíduo que faz conscientemente o desprezível papel de pelego, existem casos em que alguém pode estar "pelegando" sem se dar conta do alcance moral sobre aquilo que está praticando. Seria este uma espécie de "inocente útil"?
Mas como se pode definir esse professor que tendo em determinado momento se colocado à disposição da categoria elegendo-se Conselheiro(a), se acovarda, que aceita tudo o que o Governo quer, sem questionar? Que se esconde atrás daqueles que lutam, aproveitando da peleja alheia. Pelego é aquele Conselheiro que não sabe o significado das palavras solidariedade e responsabilidade, o egoísta que não consegue ver nada além de suas próprias e momentâneas necessidades; é aquele Conselheiro que, terminada a greve, não consegue olhar nos olhos de seus companheiros, porque sabe que deixou de cumprir além da sua responsabilidade como representante sindical, uma parte essencial de todo ser humano solidário e cidadão: o brio, a coragem, o amor próprio, a nobreza, enfim.
Não há nada que pague a dignidade, o fato de se olhar no espelho e ver uma pessoa cidadã, solidária, de luta, consciente do dever cumprido, modelo para o filho, alegria dos amigos, orgulho da companheira(o) e, principalmente, dos alunos e da comunidade a qual representa.
Mas pelego é também aquele professor que se deixou enganar pela falácia do Governo; que não conseguiu reagir frente às humilhações; é quem não lutou pelos seus direitos, por medo das conseqüências; ou aquele que se escondeu atrás de desculpas esfarrapadas para justificar a própria covardia.
Última atualização em Qua, 19 de Maio de 2010 00:09
quarta-feira, 19 de maio de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
GREVE MARCA POSIÇÃO DOS PROFESSORES, MAS PODERIA TER MARCADO MAIS!
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Indignados com a desvalorização do magistério, com o sucateamento da educação, políticas públicas excludentes e propagandas mentirosas nos veículos de comunicação por parte da administração Serra/Goldman/Paulo Renato, do PSDB, os professores da rede pública estadual entraram em greve do dia 08 de março ao dia 08 de abril.
Durante esses trinta dias, nós do Coletivo “APEOESP Na Escola e Na Luta” do Vale do Ribeira, em Comando de Greve, percorremos diversos municípios da região visitando escolas na tentativa de fazer o convencimento do professorado a aderir ao movimento, informando e esclarecendo dúvidas. Também encontramos movimentos grevistas em alguns municípios, como na Barra do Turvo.
Agradecemos a todos, grevistas ou não, pela atenção e apoio, já que em nenhum momento foi questionada nossa pauta de reivindicação e a própria greve. A principal divergência era em relação à adesão ao movimento estadual.
Mesmo assim, na segunda semana de greve, atingimos cerca de 65% de paralisação em todo o estado e 30% aqui no Vale do Ribeira, o que já pode ser considerado vitorioso. Porém, a truculência do governo nas negociações, a forte repressão policial aos professores, junto à longa duração da greve, fez com que houvesse um refluxo no movimento.
Sentimos também que a própria direção da APEOESP articulou e forçou um recuo durante as assembléias. Nós, do Coletivo “APEOESP Na Escola e Na Luta” aqui do Vale do Ribeira, consideramos o fim da greve, naquele momento, equivocado, já que não podemos sair de mãos vazias num movimento tão delicado e importante, como é o movimento grevista.
Entretanto, mesmo não atingindo nossas reivindicações, avaliamos que este movimento foi importante, mostrando que o conjunto do magistério está crítico à forma como o governador Serra e seu secretário Paulo Renato conduzem a educação pública paulista. Nosso recado foi dado: não aguentamos mais ataques aos nossos direitos!
Até o momento, conseguimos apenas uma conquista: a de que haverá desconto parcelado dos dias parados e de que a reposição será feita de forma diversificada, dependendo da realidade da escola. Pelo menos é o que foi acordado entre a direção do sindicato e o secretário da Educação.
Assim, sempre que houver tentativas de denegrir a imagem de nossa categoria ou flexibilizar nossos direitos, iremos nos defender. Para isso, precisamos cada vez mais de um sindicato forte e combativo, e sua participação é fundamental nessa construção.
Indignados com a desvalorização do magistério, com o sucateamento da educação, políticas públicas excludentes e propagandas mentirosas nos veículos de comunicação por parte da administração Serra/Goldman/Paulo Renato, do PSDB, os professores da rede pública estadual entraram em greve do dia 08 de março ao dia 08 de abril.
Durante esses trinta dias, nós do Coletivo “APEOESP Na Escola e Na Luta” do Vale do Ribeira, em Comando de Greve, percorremos diversos municípios da região visitando escolas na tentativa de fazer o convencimento do professorado a aderir ao movimento, informando e esclarecendo dúvidas. Também encontramos movimentos grevistas em alguns municípios, como na Barra do Turvo.
Agradecemos a todos, grevistas ou não, pela atenção e apoio, já que em nenhum momento foi questionada nossa pauta de reivindicação e a própria greve. A principal divergência era em relação à adesão ao movimento estadual.
Mesmo assim, na segunda semana de greve, atingimos cerca de 65% de paralisação em todo o estado e 30% aqui no Vale do Ribeira, o que já pode ser considerado vitorioso. Porém, a truculência do governo nas negociações, a forte repressão policial aos professores, junto à longa duração da greve, fez com que houvesse um refluxo no movimento.
Sentimos também que a própria direção da APEOESP articulou e forçou um recuo durante as assembléias. Nós, do Coletivo “APEOESP Na Escola e Na Luta” aqui do Vale do Ribeira, consideramos o fim da greve, naquele momento, equivocado, já que não podemos sair de mãos vazias num movimento tão delicado e importante, como é o movimento grevista.
Entretanto, mesmo não atingindo nossas reivindicações, avaliamos que este movimento foi importante, mostrando que o conjunto do magistério está crítico à forma como o governador Serra e seu secretário Paulo Renato conduzem a educação pública paulista. Nosso recado foi dado: não aguentamos mais ataques aos nossos direitos!
Até o momento, conseguimos apenas uma conquista: a de que haverá desconto parcelado dos dias parados e de que a reposição será feita de forma diversificada, dependendo da realidade da escola. Pelo menos é o que foi acordado entre a direção do sindicato e o secretário da Educação.
Assim, sempre que houver tentativas de denegrir a imagem de nossa categoria ou flexibilizar nossos direitos, iremos nos defender. Para isso, precisamos cada vez mais de um sindicato forte e combativo, e sua participação é fundamental nessa construção.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Uso e abuso dos professores
Escrito por Gabriel Perissé
27-Jan-2010
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4268/53/
Li na Folha de S. Paulo, no dia 23 de janeiro de 2010, matéria assim intitulada: "SP admite ter de usar professor reprovado".
O verbo "usar" entra pelos olhos, assalta as mentes, espanca o coração, cai torto no estômago e nos faz mal.
O verbo "usar", bem conhecemos. Eu, você, todos nós usamos o verbo "usar". Usamos e abusamos. Faço uso desse verbo porque muitas coisas eu aprendi a usar.
Uso roupa, uso computador, uso escada para subir, uso papel para escrever, uso dinheiro para comprar, uso carro para me transportar, uso de tudo que é lícito para viver humanamente.
Usar não é errado quando uso e manipulo o que é usável e manipulável: objetos a meu dispor, simples ou complexos, caros ou baratos, de qualidade ou vagabundos.
Mas usar pessoas, isso não; isso é demais da conta. Usar pessoas, jamais! Usar alguém para escalar. Usar alguém para ganhar. Usar alguém para gozar. Usar alguém para vencer. Usar alguém é coisa que ninguém deveria fazer. Usar alguém não é do bem. Usar alguém faz mal, e faz mal aos dois: a quem é usado, e também àquele que usa!
Dirão, talvez, que entendi mal. Que o título da matéria não tem maldade. Que "usar" é assim mesmo, usamos sem pensar. Que temos aí um modo de escrever inofensivo. Que estou exagerando a força da palavra. Que estou usando mal a minha capacidade de ler o jornal. Que estou vendo coisas.
Contudo, lá está, a matéria diz: os professores reprovados serão usados. Usados, concluo, porque foram reprovados. E foram reprovados porque sempre foram usados. Porque têm sido objeto de uso e abuso.
O professor fez a prova e foi reprovado. O que será que essa prova provará? Será essa prova eliminatória ou "humilhatória"? O governo de São Paulo garante que o professor, mesmo reprovado, será usado. E ele, o professor, que já se habituou a ser usado faz tanto tempo, voltará a ser temporário. Por quanto tempo?
Usado e mal pago, de manhã, à tarde e à noite, o professor se sente manipulado como uma coisa. Sem aplauso, excluso, mero parafuso, o professor aceita ser usado.
E aqueles que, useiros e vezeiros em usar os professores, humilham o docente, provam, na verdade, que não sabem servir a sociedade. E se não vivem para servir, para que servem?
Gabriel Perissé é Doutor em Educação pela USP e escritor.
Website: http://www.perisse.com.br/
27-Jan-2010
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4268/53/
Li na Folha de S. Paulo, no dia 23 de janeiro de 2010, matéria assim intitulada: "SP admite ter de usar professor reprovado".
O verbo "usar" entra pelos olhos, assalta as mentes, espanca o coração, cai torto no estômago e nos faz mal.
O verbo "usar", bem conhecemos. Eu, você, todos nós usamos o verbo "usar". Usamos e abusamos. Faço uso desse verbo porque muitas coisas eu aprendi a usar.
Uso roupa, uso computador, uso escada para subir, uso papel para escrever, uso dinheiro para comprar, uso carro para me transportar, uso de tudo que é lícito para viver humanamente.
Usar não é errado quando uso e manipulo o que é usável e manipulável: objetos a meu dispor, simples ou complexos, caros ou baratos, de qualidade ou vagabundos.
Mas usar pessoas, isso não; isso é demais da conta. Usar pessoas, jamais! Usar alguém para escalar. Usar alguém para ganhar. Usar alguém para gozar. Usar alguém para vencer. Usar alguém é coisa que ninguém deveria fazer. Usar alguém não é do bem. Usar alguém faz mal, e faz mal aos dois: a quem é usado, e também àquele que usa!
Dirão, talvez, que entendi mal. Que o título da matéria não tem maldade. Que "usar" é assim mesmo, usamos sem pensar. Que temos aí um modo de escrever inofensivo. Que estou exagerando a força da palavra. Que estou usando mal a minha capacidade de ler o jornal. Que estou vendo coisas.
Contudo, lá está, a matéria diz: os professores reprovados serão usados. Usados, concluo, porque foram reprovados. E foram reprovados porque sempre foram usados. Porque têm sido objeto de uso e abuso.
O professor fez a prova e foi reprovado. O que será que essa prova provará? Será essa prova eliminatória ou "humilhatória"? O governo de São Paulo garante que o professor, mesmo reprovado, será usado. E ele, o professor, que já se habituou a ser usado faz tanto tempo, voltará a ser temporário. Por quanto tempo?
Usado e mal pago, de manhã, à tarde e à noite, o professor se sente manipulado como uma coisa. Sem aplauso, excluso, mero parafuso, o professor aceita ser usado.
E aqueles que, useiros e vezeiros em usar os professores, humilham o docente, provam, na verdade, que não sabem servir a sociedade. E se não vivem para servir, para que servem?
Gabriel Perissé é Doutor em Educação pela USP e escritor.
Website: http://www.perisse.com.br/
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
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